A última cena que determinou o falecimento da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, ainda deverá ser reescrita em diversas versões ao longa da história. O PSB que abriga os personagens teve peso decisivo no fechamento do caixão da pretensão do atual deputado Ciro ao trono de Lula. Aliás, Lula foi o mentor da espetacular derrapada do ex-governador cearense. Mestre do disfarce Lula inflou o balão de Ciro Gomes, pedindo conselhos e opiniões convertendo-o num confidente, para num segundo momento aplicar um golpe fatal: exigir a troca no domicílio eleitoral do Ceará por São Paulo. A princípio a estratégia buscava a marcação sob pressão no governador José Serra, e até desestabilizá-lo com a promessa da candidatura de Ciro ao governo paulista. Pura encenação.
O que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não contava era a intenção de que Gomes jamais abriria mão do sonho de concorrer pela terceira vez ao cargo de presidente do Brasil. O jogo prestes a começar e a torcida chegando a arena, Lula resolveu escalar a eleita dele e 'rifar' a candidatura de Ciro Gomes. Com um esquema já preconcebido, Lula convocou a linha de defensores - todos do PSB - e os personagens em dois tempos distintos trituraram as pretensões do pré-candidato ao Palácio do Planalto. Quando o jogo começar para valer, tomara que não seja necessária nenhuma prorrogação. Até lá, no entanto, sem reserva a altura a zebra pode passear e, socialistas hoje, poderão ser inconfidentes amanhã. A história boa é aquela sempre contada em capítulos.
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