terça-feira, 6 de julho de 2010

RICARDO TEIXEIRA EM ENTREVISTA DIZ QUE RENOVAÇÃO É A PALAVRA DE ORDEM NA SELEÇÃO

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, após a eliminação da Seleção Brasileira da Copa do Mundo da África, e a dissolvição da comissão técnica prestou uma longa entrevista ao programa Bem, Amigos, comandado por Galvão Bueno na GloboNews, nesta segunda-feira (5). A desclassificação da seleção no jogo diante da Holanda; demissão de Dunga e toda a comissão técnica e a formatação de uma outra comissão, além do destino do país como sede da próxima Copa do Mundo em 2014 foram os assuntos debatidos no programa gerado direto de Joanhesburg.
Num primeiro momento, Ricardo Teixeira, disse estar surpreendido pela eliminação brasileira da Copa, notadamente, pelo histórico conquistado pela equipe tanto na fase das eliminatórias, como pelo sequencial de amistosos que serviram de base na preparação.'Nós jogamos com Itália, com Argentina várias vezes, Inglaterra...enfim, com as grandes seleções mundiais e ganhamos. Então essa (eliminação) foi a maior surpresa. Surpresa não só para nós que estamos no Comitê da FIFA mas, para todos. Enfim, de tudo a gente tira ensinamentos e fazemos as correções necessárias', frisou Ricardo ao analisar sobre a eliminação.
A decepção do presidente da CBF em demitir Dunga e a comissão técnica da Seleção Brasileira ficou materializada após assistir o vídeo do jogo contra a Holanda. 'Ficou claro que o time estava profundamente nervoso. Nós tomamos um gol (aos 4, do 2º tempo). Não precisiva aquela hecatombe, como se nós estivessemos perdendo e o jogo estava empatado ( 1 a 1), tínhamos que ter calma e observamos que tinha jogador que era zagueiro (Lúcio) e estava atuando como ponta-de-lança. Então, foi surpresa para mim e para todo o mundo. Não discuti este assunto com ninguém da comissão técnica e a única coisa que tinha que fazer era comunicar ao técnico (Dunga) sobre a dissolvição da comissão técnica já para projeto futuro', revelou.
Ao ser questionado sobre a iniciativa de demitir Dunga e auxiliares, Ricardo Teixeira, argumentou que a situação tem sido praxe quando se conclui as disputas da Copa do Mundo. 'Não há nenhuma novidade nisso. Desde 90, nunca houve repetição de técnico. Após a Copa de 90, a comissão foi dissolvida. Em 94, campeã, idem. 98, vice-campeã a mesma coisa. 2002, a mesma coisa. 2006, mesma coisa. Agora em 2010 a mesma forma e dessa vez, eu não diria como agravante, mas com um fato novo de que nós agora temos um projeto muito maior, e muito mais amplo, porque a próxima Copa, além de nós não fazermos eliminatoria, portanto, já estamos nela, a Copa será realizada no Brasil', lembrou após apresentar os números.
A demissão de Dunga foi o capítulo mais debatido durante a entrevista, em função de que, as especulações começam a tomar corporativismo entre estilos. Para uns, a imagem de Dunga ficou marcada pelo estilo duro e turrão, enquanto que, outros defendem que a flexibilização em alguns aspectos podem somar. Saindo pelo tangente e, sem deixar rastros sobre o preferido de uma lista que contém oito nomes especulados, Ricardo Texeira, preferiu citar o calendário que a seleção terá como preparação até 2014. 'Nós temos este ano ainda mais ou menos cinco amistosos. Nós temos ano que vem, classificatório para as Olimpiadas e mais Copa América na Argentina. Nos temos em 12 (2012) Olimpíadas. Nós temos em 13 (2013) a Copa das Confederações. Nós temos 14 (2014) Copa do Mundo e 15 (2015) Copa América no Brasil e nós temos 16 (2016) Olimpíadas noBrasil. Quer dizer nós temos quatro anos seguidos - 13, 14, 15 e 16 - das maiores competições do mundo realizadas no Brasil', esclareceu Ricardo.
A seguir pressionado sobre o perfil do próximo técnico substituto de Dunga, o presidente Ricardo Teixeira, preferiu contornar o assunto revelando que a juventude é de suma importância para alcançar resultados positivos nas competições internacionais. Para argumentar tal ponto de vista sacou documento elaborado pela FIFA o qual destaca a seguinte análise. 'O time (seleção) da Alemanha tem nove jogadores abaixo de 23. Nós (Brasil) temos um. O time (Argentina) tem sete jogadores abaixo de 23. O time (Gana) tem 11. O time da Espanha tem seis jogadores. Ou seja esta turma toda está à nossa frente para 2014. O nosso projeto específico daqui para a frente, e isso eu faço questão destacar. Logo após 90, eu trouxe Falcão e, ele (Falcão) foi sacrificado pelo trabalho realizado. Ninguém foi justo com que Falcão fez. Por que? Porque ele criou um Cafu, Mauro Silva, criou outros jogadores de futuro, mas não tinha resultados (vitórias). Por isso, peço a paciência com relação neste projeto agora', apelou aos críticos de resultados imediatos.
A escolha do substituto de Dunga deve ser feita áté o próximo dia 25 de julho, isso porque, o calendário da CBF, de acordo com Ricardo Teixeira, presidente da entidade em 10 de agosto a Seleção Brasileira tem amistoso a cumprir nos Estados Unidos no Ginasium Stadium contra a seleção americana que acabou de também participar da Copa do Mundo. Na opinião de Ricardo Teixeira, a seleção brasileira que estará em solo americano não mais será a mesma que acabou de ser desfeita pós-Copa. 'Nós para nos prepararmos para a sequencial de jogos e para os torneios 14 e 16, vamos ter que fazer um grande sacifício da formação de time que vai gerar inegavelmente não ter vitórias. Para fazermos a formação desta nova seleção, a gente vai de ter este trabalho com a Olimpíada, com a seleção 20. É um projeto de na melhor das hipóteses de cinco anos', sinalizou o presidente da CBF, preparando a mídia e os torcedores.
Perguntado sobre a escolha de um nome, Ricardo Teixeira, manifestou que não conversou absolutamente com ninguém, acrescentando que só trataria do assunto quanto retornasse ao Brasil após assistir a final da Copa do Mundo que está prevista para o dia 11 de julho. 'Não está definido (nome). O importante é você desta vez, ter uma conversa de combinar o processo que vai ser feito. Não adianta convocar um técnico que fique preocupado de ganhar jogo dos EUA, fique preocupado em ganhar o proximo amistoso e não vai surtir no objetivo final que é inegavelmente formar seleções novas. Ou nós formamos uma seleção nova, ou formamos uma seleçao nova. Não tem opção' definiu a situação outra vez, Teixeira.
Antes de finalizar como será feito o processo de escolha do próximo técnico da canarinha, Ricardo Teixeira, foi pragmático ao esclarecer que o perfil da escolha do futuro treinador recairá sobre a condição da exclusividade. Ou seja, todas as categorias de seleções ficariam sob a responsibilidade do treinador titular, embora setores departamentais sejam criados com representantes. 'O que nós vamos fazer é uma reestruturação no departamento de seleções de vinculação grande entre as seleções de 17, 20, 23 e a principal. Porque a seleção de sub-20 que vai começar a ser preparada até a Copa do Mundo estará com 24 anos. Qualquer coisa diferente disso daí, está fora do bom senso. O técnico pode até colocar um outro jogador acima disso, um goleiro possivelmente - acima dessa faixa etária', reiterou Ricardo Teixeira sobre o processo de renovação da seleção brasileira.
Ao finalizar a entrevista e ainda sendo bombardeado sobre quem seria o técnico, Ricardo Teixeira, pediu desculpas e lamentou pela eliminação brasileira na Copa do Mundo da África, acreditando, porém que 'perder fora de casa é plausível', dentro de casa já seria demais. 'Nao queremos mais o exemplo do Uruguai em 1950 (Brasil perdeu de virada por 2 a 1 na final com o Maracanã lotado). Eu ouço, ouço e ouço muito. Falo muito pouco. As vezes os que falam que falei não é verdade. Tudo que a CBF 'fala' é através do Rodrigo Paiva (assessor de imprensa). Há certas coisas que nem sequer falo com a minha esposa, muito menos com amigos pessoais', concluiu.

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